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Joo Justiniano da Fonseca [Cnsul - Salvador - BA]
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia

VELHAS PAREDES E RUÍNAS

Ao Mário Símon, alma do Acampamento da Poesia

Velhas paredes...
Já não paredes, ruínas somente
vêem-se agora...

Ruínas que lembram, marcam, proclamam
o brilho e a glória de um povo morto,
um grande povo,
e da cultura que o regia milenarmente!

Ruínas somente e sepultura
de um grande povo,
senhor e dono dessas paragens missioneiras,
em tempos de ontem milenarmente?

Essas paredes, isso somente?

Mais, são muito mais, essas paredes, essas ruínas...
São a sentença do hoje e agora
e sentenciam ao cadafalso
da guilhotina do nosso horror,
os sanguinários conquistadores
que se dizim civilizados
e eram monstros impiedosos...

Deus tem na glória de heróis maiores
do tempo de ontem
os Guaranis que ergueram templos
e os jesuítas que os cultuaram.

Tem no sepulcro universal do horror humano,
em seu repúdio,
os miseráveis que os destruíram.

Quem isso diz,
quem marca é a História!

BRASIL

Primeiro, treze veleiros
correndo as águas ligeiros
nuns longes dias de abril.
E muita gente selvagem,
de alta bravura e coragem
nesse distante Brasil.

Feito a machado e ancinho,
veio em seguida o caminho
de andar a pé e a cavalo.
A procura da esmeralda,
nas serras de falda em falda
quando o relógio era o galo.

Plantou-se a cana depois,
chegando o carro de bois
fez-se a estrada carroçável.
No Brasil de antigamente,
andava-se lentamente
por onde fosse viável.

A pátria os campos alcança,
cria, planta, não descansa
no tratodo bem geral.
O boi, a ovelha, o café,
o cacau e a chaminé
do velho engenho ancestral.

O trem de ferro apitou,
aí o Brasil caminhou
lançando fogo e fumaça.
- Acorda cedo, sertão!
E sai de enxada na mão
mostrando a força da raça.

Chega o automóvel, e agora,
a gente não se demora,
alcança a larga campina.
A estrada vai-se alargando,
o fordeco caminhando
e queimando gasolina.

A partir da velha estrada
de barro, aperfeiçoada,
anda correndo o Brasil.
O asfalto vem logo mais
e a renda dos cafezais
deixa longe aquele abril

Explode o petróleo, então,
freme de orgulho a nação
nas sondas da Petrobrás.
E vem a energia elétrica,
somando força energética
nos fios da Eletrobrás.

A industria se multiplica,
não sei bem como se explica,
alcança já o Nordeste.
Pena é que há gente com fome,
sem saúde, escola e nome,
Norte a Sul, Leste a Oeste.

Gente sem casa e agasalhado,
Sem luz, sem terra e traalho...
Vida de cão sem valia.
E gente que se aproveita
do Poder, furta e se deita
no luxo da mordomia

A cultura acumulada,
põe o Brasil na arrancada
da era tecnológica.
E vai-se andando de pulo,
sem deixar de ouvir-se o arrulo
da poesia fonológica.

Dos pagos frios do pinho,
o asfalto segue caminho
para a distância da Hiléia.
Nas terras da sumaúma,
rompendo a flora se arruma
no chão, e é brilho e epopéia.

Largo, robusto, pesado,
baqueia o tronco ao machado,
vai a floresta cedendo.
O índio assustado espia,
o uirapuru canta e pia
e a pista segue crescendo.

Ao longo da pista, os rios
se cobrem de negros fios
de concreto - são as pontes.
Mais asfalto! Mais asfalto!
Desliza a estrada de salto,
pulando baixas e montes.

Faz-se a história do progresso
quando o moço toma ingresso
na aventura do sertão.
Como novos bandeirantes,
vinde moços aos mirantes
desse colosso Nortão.

Mas, por Deus, ns derrubadas
terríveis, largas queimadas,
não destruí a floresta.
É com amor que se utiliza
- a floresta, ela precisa
salvar-se no que lhe resta.

Procurai viver no apoio
da natureza. O arroio,
a planta e o animal protegem
nossa terra, e esta oferece
o trabalho que enriquece,
e cria, e eleva a imagem...
* * *
Eis meu país gigantesco,
forjado no parentesco
índio-congo-português.
Não se duvide da raça,
ninguém a nós ultrapassa
brio, nobreza, altivez.

Não há povo em toda parte,
de saber, engenho e arte
que chegue além dos Camões.
Vamos criando ciência,
cultivando inteligência
para emprestar às nações.

Bênção eterna, divina,
a alma do luso ensina,
vibra a do congo, por Deus!
A força nativa canta,
e este povo se levanta
para destinos mais seus...

Há de chegar o momento
em que a força do talento
rompa tabus e milênios.
Então os povos dirão
contemplando esta nação:
- \'Deus, este é o país do gênios\'.

Quando esta hora soar,
Deus também há de falar
no brilho dos arrebóis:
- \'Já não se fala de esmola,
é o resultado da escola,
gênios, criada por vós.

Este é o país da nobreza,
dos sucessos, da grandeza,
arquitetura de heróis.
No concerto, entre as nações,
buscam-se as luzes, razões
que irradiem destes sóis.

Gênios e heróis do passado
sussurram - \'Muito obrigado
Deus, criou-se um grande povo.
Cumprimos nosso dever
fazendo a pátria crescer,
mesclado o sangue em renovo.

Responde a pátria num hino
cantado ao gênio do ensino
e ao herói do seu progresso.
Hosanas! - repete o povo -
ao passado, ao sangue novo.
Vivemos hoje o sucesso!

Última voz - os poetas,
deuses do sonho, profetas
de ontem, de hoje, do Abril:
- \'Este é o país que sonhamos,
e sonhando trabalhamos.
Avante! Avante Brasil!

Ao Semeador


Encontre-se entre os futos uma oliva
e ao menos uma rosa nos florais.
Se a fortuna vos falha, por esquiva,
plantai de novo, e sempre, e muito mais.

Segui, juncando a orla dos caminhos
de roseiras sem conta e de olivais.
Sangrar-vos-eis, de certo, nos espinhos,
certo, vos queimarão sóis estivais.

Vezes a praga e os pássaros daninhos
perderão a colheita, ou a primitiva
semente esconderão os chãos maninhos.

Árdua é a tarefa. Embora! A alternativa
de servir os passantes e os vizinhos,
compensa o dissabor e em paz deriva.
..........................................................................

O Pensamento e a Idéia

Como as abelhas juntas em colmeia
vão trabalhando o alvéolo, o cortiço;
e o mel, favo por favo depois disso,
- os pensamentos vão formando a idéia.

Livres do escrito, soltos na traquéia,
os pensamentos, sem temer feitiço,
voam no mundo inteiro e em todo o viço,
luzindo qual diamante a bateia.

Conte-se o tempo em mil por mil milhões,
não se desgastem mundo e gerações,
que a idéia há de viver - e não se conta.

Na luz, no espaço, em tempo eternidade,
a idéia livre é a força da verdade
e o pensamento é Deus que em nós desponta.
............................................................................

Figurações

Velhos sonetos que me vêm de um anjo,
e não reputo meus. Sou o instrumento
de incontido e abortivo pensamento
que apenas solto ao mundo, ao mundo esbanjo.

Ó invisíveis razões do meu arcanjo,
que me utiliza o sonho e o sentimento,
para abrir as vazões a um elemento
que o soneto me impõe em velho arranjo...

É uma perseguição de noite e dia
que move ao meu espírito a Poesia
nessa exigência de figurações!

E não sei se bendigo ao anjo insônia,
que se confunde em mim sem cerimônia,
para o registro das contemplações.
......................................................................
A Esperança

Gêmea comigo - vem de manso, manso,
e sem ruído os passos me seguindo
Está no meu trabalho e no descanso,
à minha mesa. É de um desvelo infindo!

À hora de dormir, chega de leve
e toma o seu lugar em minha cama.
Comigo dorme e acorda, é lenta ou é breve
respira, e pensa, e dialoga, e ama.

Comigo está nos sonhos mais diversos,
nos medos, nos cuidados, nestes versos...
Não chora, ri - nunca se zanga, é mansa!

Tão apegada assim, irá comigo
de certo ao mesmo fim e a igual jazigo,
minha terna e dulcíssima - ESPERANÇA.
............................................................................

O Tempo

Vem o tempo e faz banca em minha porta,
eu saio ele perscruta, eu entro, espreita.
Comigo se levanta, e senta, e deita,
enquanto durmo as faces me recorta.

Leva os cabelos ou de braco enfeita,
as pernas endurece, a espinha entorta.
Encurta o ouvido e a vista, não lhe importa
que indo na rua eu sofra uma desfeita.

Dono de tudo é tempo, a tudo vence,
tudo gasta e destrui do que se pense,
no seu poder total de eternidade.

Só uma coisa conheço com vitória
sobre a erosão do tempo - essa é a História,
que se constrói acumulando a idade.

biografia:

JOÃO JUSTINIANO DA FONSECA
, poeta e ficcionista, historiógrafo. Nasceu em Rodelas, Estado da Bahia, a 30 de junho de 1920, filho de Manoel Justiniano da Fonseca e Eufrosina Maria de Almeida. Rodelas, povoação tricentenária situada à margem direita do Rio São Francisco na região das corredeiras, foi descoberta como aldeia indígena em 1646 e inundada com a Barragem de Itaparica em 1988. Há hoje uma nova cidade, a que falta o aconchego da anterior - pequenina e amiga do coração.
Formação intelectual: Curso de Graduados do Exército Nacional - sargento. Serviu ao Exército Nacional entre 1940 e1944. Antes de deixar o Exército, prestou concurso para o Ministério da Fazenda, onde se iniciou como Auxiliar de Coletoria. Posteriormente, com aprovação em novo concurso, foi Escrivão de Coletoria, tendo exercido, na oportunidade, o cargo em comissão de Inspetor de Coletorias Federais. Ainda por aprovação em novo concurso, exerceu o cargo de Agente Fiscal do Imposto de Consumo, correspondente, na nomenclatura atual a Auditor Fiscal da Receita Federal, passando, então, por mais três cargos de confiança - Fiscal do Selo nas Operações Bancárias, Inspetor Fiscal do Imposto de Consumo, e com a nova nomenclatura, Inspetor Fiscal de Rendas Internas. Teve provação também nos concursos de Escrivão de Coletoria Estadual e Fiscal de Rendas do Estrado da Bahia. Exerceu o mandato eletivo de Preceito de Rodelas entre \'1967 e 1971. Aposentou-se no Ministério da Fazenda como Auditor Fiscal. Nomeado para o cargo vitalício de Conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia, renunciou a aposentadoria feeral para exercer esse novo cargo, no qual veio a aposentar-se posteriormente.
Tem as seguintes obras publicadas: Safiras e Outros Poemas [poesia lírica], Sonhos de João [poesia lírica], Brados do Sertão [poesia épico social], Sonetos de Amor e Passatempo [200 sonetos de temática vária], Rio Grande do Sul [poesia vária], Cantigas de Fuga ao Tédio, poesia; Luiz Rogério de Sousa - Educador Emérito [resumo biográfico]; Cacimba Seca [romance], Terra Inundada [romance], Grilagem [romance], Aquele Homem [romance], Memórias de Pedro Malaca, [romance], Crônica dos Deuses [romance]; Sertão, Luz e Luzerna [contos]; Rodelas - Curraleiros, Índios e Missionários [história], Participa de várias coletâneas e antologias; tem contos e poesia publicados em jornais e revistas.
Pertence, a Academia de Artes Ciências e Letras Castro Alves, de Porto Alegre, ao Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, à União Brasileira de Trovadores [UBT] - Salvador, à Ordem Brasileira de Poetas e Poetisas Sonetistas do Brasil [0BRAPS],à Casa do Poeta Brasileiro em Salvador e, como sócio correspondente, a Academia Rio-grandense de Letras, a Academia Petropolitana de Letras, a Academia Petropolitana de Poesia Raul de Leoni, a Academia Anapolina de Ciências e Letras, a Academia Goianiense de Letras e à Casa do Poeta Rio-grandense. É verbete na Enciclopédia de Literatura Brasileira, da Oficina Afrânio Coutinho, edições de1990 e 2001. Verbete no Dicionário de Poetas Contemporâneos, de Francisco Igreja, 2ª edição, 1991, página 167/68.

JOÃO JUSTINIANO DA FONSECA, poeta e ficcionista. Nasceu em Rodelas, Estado da Bahia, a 30 de junho de 1920, filho de Manoel Justiniano da Fonseca e Eufrosina Maria de Almeida. Rodelas, povoação tricentenária situada à margem direita do Rio São Francisco na região das corredeiras, foi descoberta como aldeia indígena em 1646 e inundada com a Barragem de Itaparica em 1988. Há hoje uma nova cidade, a que falta o aconchego da anterior - pequenina e amiga do coração.
Tem as seguintes obras publicdas: Safiras e Outros Poemas [poesia lírica]; Brados do Sertão [poesia épico social]; Sonhos de João [poesia lírica]; Sonetos de Amor e Passatempo [200 sonetos de temática vária]; Rio Grande do Sul [poesia vária]; Luiz Rogério de Sousa - Educador Emérito [resumo biográfico]; Cacimba Seca [romance]; Terra Inundada [romance]; Grilagem [romance]; Aquele Homem [romance]; Rodelas - Curraleiros, Índios e Missionários [história]; Participa de várias Coletâneas e Antologias e tem contos publicados em jornais e revista.
Pertence, ao Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, à União Brasileira de Trovadores - Salvador, à Casa do Poeta Brasileiro em Salvador e, como sócio correspondente, a Academia Rio-grandense de Letras, a Academia Petropolitana de Letras, a Academia Petropolitana de Poesia Raul de Leoni, a Academia Anapolina de Ciências e Letras, a Academia Goianiense de Letras e à Casa do Poeta Rio-grandense. É verbete na Enciclopédia de Literatura Brasileira, da Oficina Afrânio Coutinho, 1990 e no Dicionáriode Poetas Contemporâneos, de Francisco Igreja, 2ª edição, 1991

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