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Paulo Nunes Batista [Cnsul - Anpolis - GO]
Nacionalidad:
Brasil
E-mail:
Biografia
LIO DA PEDRA

No basta olhar a pedra.
O importante saber
que ela tambm nos v
com seus mil e um olhinhos de pedra.
J pensaste em sentir a alma de cada pedra?
J buscaste saber - antes de us-la -
se ela quer ser s pedra de alicerce
ou se prefere ser esttua?
Joo Cabral nos falou sobre a Educao pela pedra.
que a pedra tem vida e sabe muitas coisas
quer da Esfinge, das Pirmides do Egito,
das runas de Machu Picchu, de Stonehenge,
dos Himalaias com seu Pico do Everest,
das esttuas da Ilha da Pscoa e da Muralha da China
e dos tempos que vm desd a Idade da Pedra
e antes, do muito antes, quando neste planeta
s ela - a pedra - guas e areias havia...
No. No basta ver a pedra.
preciso aprender cada Lio da Pedra.

MINHA FILHA

Em memria de minha querida
neta Euliana


Darei a minha filha
o nome de Poesia
incrvel, mas no conheo
ningum com esse nome
Um nome to humano
to cheio de sonho e sugestes.
E minha filha ser
bela como a Verdade
e equnime como a Justia.
Outro nome que nunca
vi aplicado a ningum.

Ensinarei a minha filha
a deitar-se com o Amor
e a erguer-se com a Harmonia.
E lhe darei as ferramentas
para lapidar seus desejos
os brutos diamantes do instinto
para que brilhantes sejam
entre as mais lmpidas estrelas.

Seus seios vertero flores
e sua boca msica
e ela perfumar com seus dedos
o que quer que alcancebr> com seu manso toque mgico.
Dos olhos de minha filha nascero auroras
A Noite dormir em seu sexo
e anjos bailaro ao ritmo de seus passos.

Seus beijos sero vos msticos
beija-florindo as manhs
abrindo asas na tarde
antes que o sol se despea.
Farei de minha filha o meu melhor poema.
E quando eu me mudar de mim
nas inexorveis ondas do tempo
ainda ficarei por muito espao
danando nas esquinas da vida
porque minha filha se chamar
POESIA.

CANTO DOS CRISTOS DA TERRA
OU
COMO NASCE UM CANGACEIRO


A Maria do Socorro C. Xavier

Cristos da terra, nascidos
na Manjedoura do NO:
no tm terra nem sade,
justia nem instruo.
S conhecem 3 reis magos
- que sempre lhes causam estragos - :
Polcia, Imposto e Patro.

So filhos de Z Ningum
e de Maria Qualquer...
Naturais de algum 'Belm'
que no se sabe onde
e onde, entre espinhos e grota,
'o Judas perdeu as botas'
jogando mais Lucifer...

Frutos do cho duro e seco
como um rio que j foi...
Vidas de pedras agudas...
Terras de 'Deus me perdoe!'...
Essa terra, aquela vida
tm a tristeza doda
de uma caveira de boi...

Irriga as mas do rosto
com o chuvisco da Esperana:
luta e sofre! Sofre e espera
na Fome que a dor amansa...
Num prato - pesa a Pobreza;
no outro - o peso da Tristeza
que sua vida balana...

Pega um fiapo de Sonho
e tece a prpria mortalha.
Toca o carro... mas, encalha
nas Pedras da Solido...
seu canto traz a Amargura
dos lamentos de um Aboio...
da cicatriz de um arroio
na Face da Sequido!

Planta um P de Sacrifcio
- nasce uma Flor de Sava!
Estende a Mo para a Chuva
- e alcana o Olho do Sol...
S lhe do, como presente:
Pobreza... falta de escola...
Leva mais chute que bola
em campo de futebol...

Mora num rancho de palha,
dorme num jirau de vara.deixa, um dia, o 'seu' Serto...
Seu, uma vrgula, que, dele,
no possui nem mesmo os Braos
que so, apenas, pedaos
das posses de algum Patro...

O Patro manda no velho,
manda na velha, na filha.
E na quadra. E na quadrilha...
na quadrinha... no quadro...
Entonce, o Cristo da Enxada,
cansado do mandonismo,
muda o nome de batismo
pra Silvino ou Lampio...

Cristo da terra, pregado
na cruz de um cabo de Enxada,
sua alma est calejada
pelos sculos de Dor...
Traz dois olhos bem abertos
- mas anda cego de tudo:
cego, cabisbaixo e mudo
pelas terras do Senhor!

Belo dia, um desses cristos
humilhados, oprimidos,
forma no rol dos Bandidos
contra a Opresso Social...
E - Jesuno Brilhante,
Corisco, Antnio Silvino
ou o 'Capito Virgulino'
- 'Justia' escrita a Punhal!

- Liberato, Jurema,
Moita Braba, Pitombeira,
Z Sereno, Mo Foveira
ou 'Quel do Paje'...
- abareda - vingando
a honra da irm sertaneja
que ficou nos 'Ora, veja'
de um 'cabo' de instinto cru...

Vai acender as fogueiras
da rebeldia matuta
- contra a fora absoluta
dos senhores 'coronis'.
- mais um, que troca a Enxada
pela 'lei' de um pau-de-fogo,
onde a Morte ganha o Jogo
cheio de lances cruis!

Seu 'coron' manda-chuva
manda na vida e na morte,
no Sul, no Centro, no Norte,
no litoral, no Serto...
Manda - porque tem dinheiro,
tem nome, poder e terra:
promove a Injustia e a Guerra
e at 'Deus' lhe d razo!...

Almas de lama e de ao
vivem no cho Nordestino
tentando o n do destino
de algum modo desatar. . .
Muitos escravos da gleba,
num passado ainda recente,
tinham dois rumos, somente:
um - morrer. . . o outro - matar. . .

Com Corisco terminou
o tempo dos cangaceiros.
Mas agora os pistoleiros
fazem o que manda o patro.
Quantas vidas so ceifadas
na base da morte paga
motivado a dura saga
do sangue ensopando o cho.

Acabou-se Lampio -
entrou em campo outro time:
o Sindicato do Crime
tomou conta do Pas.
No Nordeste, Norte ou Centro
cangaceiro de gravata
pra ganhar dinheiro - mata,
no seu ofcio infeliz.

Quando a JUSTIA mandar
no Seu Coron Mando
- nesse Dia h de acabar
a Desgraa do Serto:
nunca mais o brasileiro
ter outro Cangaceiro
Virgulino Lampio!

Na Injustia Social
repousa a causa do mal.

S como o lotus
Paulo Nunes Batista
e-mail: pnbpoeta@brturbo.com.br

S como o lotus, que, a raiz, afunda,
L, na abjeta escurido do lodo
E, ao contato da luz, abre-se todo,
S fragrncia e pureza, em flor jucunda.

A flor do lotus, na matria imunda,
No milagre da flor, pe luz a rodo.
Transmuta, pois, a escurido do engodo,
Na verdade - que e Deus e a tudo inunda.

As trevas, Como o ltus, no maldigas
Acende atua humlima velinha
A aguarda a ajuda de outrasmos amigas.

Em vez de blasfemares, vai, caminha.
Ama e serve, que um ltus, na alma, abrigas
E o Amor de Deus no deixa a alma sozinha...

biografia:

Paulo Nunes Batista
[Joo Pessoa-PB, 2/8/1924], poeta e escritor paraibano radicado em Anpolis-GO, autor, entre outros, dos livros: Canto Presente [1969], Cantigas da Paz [1971], A Caminho do Azul [1979], De Mos Acesas [1981], ABC de Carlos Drummond de Andrade e Outros abecs [1986], O Sal do Tempo [1996], O Vo inVerso [2001], Alguns Poemas/Algemas [2003] e Sonetos Seletos [2005] - poesia -; Anpolis em Tempo de Msica [parceria com Jarbas de Oliveira, 1993] - ensaio; e Chamego, o urubu [1997] - contos.
Bacharel em Direito, repentista, cronista e jornalista, escreve na imprensa do Brasil e Portugal desde 1940. Em 1994 representou o Brasil nos Encontros de Improviso em Lisboa. Membro da Academia Goiana de Letras [Cadeira n 8] e de vrias entidades culturais. Consta de antologias e citado por diversos autores.

 

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